É fácil perdoar?
Encaremos os factos. Não é fácil perdoar a pessoas. De facto,
existem pessoas que não merecem ser soltas do anzol. Não admira que
ouçamos a pergunta, tantas vezes repetida: «Porque devo perdoar-lhe?»
Uma rapariga – uma cristã feliz com um futuro pessoal e profissional
brilhante – teve todo o seu mundo virado de pernas para o ar. Ela foi
violentamente violada por alguém que ela subsequentemente achava mais
parecido com um animal do que com um homem. Ela sentiu
-se,
mais tarde, violada a segunda vez pela maneira como ele e o seu
advogado trataram do caso, causando-lhe extrema humilhação e dor
emocional lancinante no tribunal. A sua terceira humilhação veio na
forma da pena ligeira que o juiz, aparentemente indiferente, decretou.
Podes, talvez, imaginar a extensão da sua ira, quando um polícia,
empenhado em investigar o caso, lhe perguntou se ela conseguiria
arranjar lugar, no seu coração, para perdoar ao acusado. Porque haveria
ela de querer perdoar esta pessoa, que tinha iniciado toda a dor que ela
experimentara naqueles poucos meses passados, esta dor que ela teria de
carregar, com ela, o resto da sua vida?
«Acha que ele merece ser perdoado?» Retorquiu ela em palavras odiosas, que não mais conseguia reprimir.
«Não», foi a resposta surpreendente. «Ele não o merece, mas tu sim.»
Esta é uma razão importante pela qual devemos estar sempre prontos a
perdoar: Nós merecemos os benefícios do perdão. Por tudo aquilo que
sabemos, o violador estava a festejar alegremente a pena ligeira que
tinha apanhado. A ira contínua da jovem não desfez a sua violação
tripla; ela simplesmente predizia uma quarta e mais duradoura dor.
Felizmente, com a ajuda de um conselheiro, ela conseguiu perdoar e
começar, de novo, a reparar a sua vida. Nós perdoamos, diz um certo
conselheiro, porque o preço que pagamos por não perdoar é demasiado
grande. O nosso bem-estar emocional, físico, espiritual e social pode,
por vezes, depender da nossa capacidade em perdoar o imperdoável.
Um bom exemplo disto foi o de José. Lê a sua incrível história de
traição e perdão em
Génesis 37,
45,
50.
Procura sentir o impacto das
palavras de José aos seus irmãos assustados: «Não temais, porque
porventura estou eu no lugar de Deus?» (
50:19).
Este é um dos exemplos
mais notáveis de “deixar as coisas nas mãos de Deus”.
"Perdoa-nos como nós perdoamos"
Há uma segunda razão para perdoar – as nossas próprias imperfeições.
Todos nós fazemos coisas que requerem que sejamos perdoados.
Ironicamente, a maioria de nós passamos pela vida a carregar uma balança
imaginária nos nossos ombros. Num prato da balança está uma pesada
carga de culpa, resultante dos nossos próprios pecados não confessados.
No outro prato está uma carga de ódio e ira resultante das faltas de
outras pessoas contra nós. Infelizmen
te, os dois pratos da balança não se equilibram um ao outro. Cada prato torna-se mais pesado pelo peso que vem do outro.
Portanto, podemos estar gratos ao Deus a quem servimos, por Ele estar
motivado, não pelo desejo de vingança pelas nossas faltas contra Ele,
mas por um anelo em perdoar-nos os nossos pecados.
Salmos 130:3 afirma
isto de modo maravilhoso: «Se tu, Senhor, observares as iniquidades,
Senhor, quem subsistirá?
O Dr. Vaudré Jacques é um pastor
Adventista do Sétimo Dia, especializado no estudo de relações
familiares. Ao falar da necessidade de perdão, dentro dos casamentos,
ele diz: «Puro e livre perdão dá-nos algo que nós não merecemos. Este é o
modo como Deus Se relaciona connosco, Seus filhos.»
Lembra-nos esta
ideia de perdoar a outros como Deus nos perdoa, alguma coisa na oração o
Pai-Nosso?
Se não, lê
Mateus 6:12. Quando leres dá também uma olhadela
aos versículos
14 e 15.
O ÓLEO DAS RELAÇÕES HUMANAS
Uma terceira razão para perdoar, na vida de uma pessoa, é o facto de
o perdão ser como o óleo que mantém as engrenagens das relações humanas
em funcionamento. Pensa nas inúmeras coisas que irmãos e irmãs, filhos e
pais fazem uns aos outros durante toda uma vida. Imagina que não havia
perdão. Como conseguiriam as famílias sobreviver com alguma alegria? A
verdade é que a falta de perdão é muitas vezes a razão de muitas
famílias se destroçarem.
Eis u
ma
maneira de testar isto. Lê de novo a parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32). Já notaste que Jesus não nos diz se o filho mais velho,
alguma vez, perdoou ao mais novo?
Imagina dois cenários: 1) O irmão mais velho continuou zangado e nunca perdoou ao mais novo. 2) Ele perdoou tal como o pai.
Qual destes dois cenários gostas mais? Qual deles achas melhor para uma sobrevivência harmoniosa da família?
Agora medita nisto: Quando é que devemos perdoar? Quando é que não devemos perdoar?
Aparentemente Jesus e os escritores cristãos primitivos passaram muito
tempo a tratar destas duas questões. Lê os textos bíblicos seguintes e
nota quando devemos perdoar:
MATEUS 5:23-24 – «Portanto, se
trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem
alguma coisa contra ti, deixa ali, diante do altar, a tua oferta, e vai
reconciliar-te primeiro com teu irmão, e, depois, vem e apresenta a tua
oferta.»
MATEUS 18:15 – «Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste teu irmão.»
MATEUS 18:27-35 – «Então o senhor daquele servo, movido de íntima
compaixão, soltou-o, e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele
servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e,
lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o
seu companheiro, prostrando-se aos seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê
generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi
encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus
conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao
seu senhor tudo o que se passara. Então o seu senhor, chamando-o à sua
presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida,
porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu
companheiro, como eu, também, tive misericórdia de ti? E, indignado, o
seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que
devia. Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não
perdoardes, cada um, a seu irmão, as suas ofensas.»
EFÉSIOS 4:26 – «Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.»
“ATÉ SETE?”
Vimos anteriormente Pedro a lutar com a questão oposta: Quando não
devemos perdoar. Em certo sentido, quando Pedro perguntou a Jesus se
perdoar sete vezes era suficiente, ele estava a ser muito generoso.
Aparentemente, os rabis daquele tempo ensinavam que bastava perdoar até
três vezes.
Depois disso a pessoa podia andar sem qualquer sentimento de
culpa. Não precisava de pensar em voltar a perdoar. Esse ensino estava
provavelmente baseado na incompreensão de um tex
to
do Velho Testamento. Amós 1:3: «Assim diz o Senhor: Por três
transgressões de Damasco, e por quatro, não retirarei o castigo, porque
trilharam a Gilead com trilhos de ferro.»
Sabendo que Jesus costumava apresentar padrões mais elevados do que os
dos rabis, Pedro achou que estaria bem sete vezes, número que
escolásticos bíblicos designam como o “número perfeito de Deus.” Podes
imaginar a sua surpresa, quando Jesus disse, não sete, mas “setenta
vezes sete”?
Eis uma distorção interessante sobre a questão de
quando perdoar. Uma menina de 11 anos, de nome Antónia, da Califórnia,
escreveu ao autor Carlos Mills a perguntar: “Irá Deus perdoar a Adão e
Eva?” Mills respondeu-lhe no seu livro devocional para juvenis desta
maneira: «Ele já lhes perdoou há muito, muito tempo, ainda antes de
Jesus ter criado este mundo.» Surpreendente. Todos nós fomos perdoados
há muito, muito tempo. Alguns de nós nem sequer ainda o sabemos.
Ora pela guia do Espírito Santo, depois faz uma lista de todas as
pessoas a quem precisas de perdoar. Em frente ao nome de cada uma,
escreve o método que vais usar para exprimires o teu perdão: falar
pessoalmente, escrever uma carta, um telefonema, um postal, ou até uma
rosa. Mantém a lista aberta. Poderás achar que precisas de acrescentar
outros nomes, à medida que lês ou revês esta questão nos próximos dias.
PESSOAS A QUEM DEUS PERDOOU
A seguir estão alguns nomes de pessoas a quem Deus perdoou:
• Adão e Eva pela sua desobediência e por terem estragado os planos que Ele tinha para este mundo.
• Moisés por ter batido na rocha mais do que uma vez.
• A mulher apanhada em adultério pela sua vida de prostituta.
• Abraão por ter tido uma língua mentirosa.
• Sansão pela sua baixa moral e por não ter completado a obra que Deus lhe dera a fazer.
• David por adultério, cobiça e assassínio.
• Paulo por ter perseguido a igreja de Deus.
Lê o que Deus inspirou Paulo a escrever sobre algumas destas pessoas em
Hebreus 11:8-32.
Portanto, há alguém a quem precises de perdoar hoje? Esta é uma
pergunta crucial para alguém que busca alegria para a sua vida e perdão
do seu Criador.
Brian Tracy, autor e narrador de uma série de
cassetes áudio, denominada The Psychology of Achievement (A Psicologia
da Realização), diz que há três grupos de pessoas a quem precisamos de
perdoar:
O primeiro grupo são os nossos pais. Sem excepção,
todos temos pais cujos pés, como os nossos, são feitos de barro.
Portanto, eles cometem erros. Às vezes nós somos as vítimas, directas ou
indirectas, dos seus erros. Contudo, é difícil, se não impossível,
viver plenamente as nossas vidas como estudantes e profissionais, como
esposas e maridos, ou como pais e dirigentes, a não ser e até que
perdoemos aos nossos pais, quer já tenham morrido ou ainda vivam, por
qualquer falta que tenham cometido contra nós.
O segundo grupo é
qualquer pessoa que alguma vez nos tenha feito mal. Esta lista inclui
amigos, e mesmo um namorado ou namorada especial, bem como irmãos e
irmãs. E, como antigo professor eu próprio, é preciso incluir também
algum professor nessa lista. E talvez também um pastor ou ancião da
igreja. Eles também são humanos, e como tal cometem igualmente erros.
O terceiro grupo és tu mesmo. Algumas pessoas dizem que não nos podemos
perdoar a nós mesmos, só Deus nos pode perdoar. Eu compreendo o que
elas querem dizer. Depois de Deus ter lançado os nossos pecados nas
profundezas do mar, porém, Ele não quer que nos empenhemos em repescar
esses pecados do fundo do oceano e nos torturemos com a culpa.
Peçamos desculpa a quaisquer pessoas a quem tenhamos ofendido. Peçamos o
perdão de Deus.
Depois aceitemos o Seu perdão, perdoemo-nos a nós
mesmos e vivamos as nossas vidas com normalidade. Esse é um grande
projecto para concretizares hoje.
Aqui está outro. Faz hoje dois
telefonemas a alguém com quem tiveste problemas no passado. Não importa
quem foi o culpado. Pelo menos, poderás dizer, por exemplo, que estás
triste pela maneira como as coisas findaram entre vós e que desejas
continuar a considerar essa pessoa ou pessoas como fazendo parte do teu
grupo de amigos. Usa palavras tuas. Não fales muito e procura manifestar
sinceridade. Não as faças sentir pressionadas a responder e tu não
precisas de ficar desapontado se elas não responderem. Elas poderão
precisar de tempo para ultrapassarem o choque. Há a possibilidade de 99
em cada 100, elas ficarem satisfeitas se lhes telefonares.
Medita nesta frase: «É perdoando que somos perdoados.» (Madre Teresa de Calcutá).
DA MÁGOA PARA A RECONCILIAÇÃO
Perdoar é muito, muito mais do que dizer a alguém as palavras
mágicas: «Sim, eu perdoo-te.» É algo profundo. O Dicionário Bíblico
Adventista do Sétimo Dia diz que a palavra perdão, como é usada na
Bíblia, combina duas ideias. A primeira é a ideia de “libertar um
ofensor da culpa.” A segunda é restabelecer a relação ao que era antes.
O
perdão é um processo, que deve começar com o reconhecimento da nossa
mágoa.
Esta é talvez a razão por que Paulo d
iz:
«Irai-vos, mas não pequeis.» (EFÉSIOS 4:26, NRSV). A especialista em
relações humanas, Dra. Bárbara de Angelis, diz que em vez de escondermos
a nossa mágoa, devemos comunicar aos nossos queridos “a verdade
completa”. Para ela, isto significa passar por seis estádios:
1. Reconhecer a nossa ira, culpa e ressentimento.
2. Dizer que estamos magoados, tristes e desapontados.
3. Admitir os nossos temores, insegurança e mágoas pessoais.
4. Expressar um sentimento de lamento, compreensão e responsabilidade pela parte que desempenhámos no problema.
5. Declarar os nossos desejos ou intenções e sugerir soluções.
6. Declarar o nosso amor, perdão e apreço.
A Bíblia também dá algumas ideias em como passar da mágoa para a
reconciliação. Aqui estão algumas dessas ideias nos textos seguintes:
1. Provérbios 15:1 - «A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.»
2. Mateus 5:43-46 - «Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e
aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos,
bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai
pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso
Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e
bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que
vos amam, que galardão havereis? não fazem os publicanos também o
mesmo?»
3. Mateus 18:15 - «Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste teu irmão.
4. Romanos 12:21 - «Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que
apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a
Deus, que é o vosso culto racional.»
5. Efésios 4:26 - «Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.»
- Ficar zangado com o mal (não com a pessoa); tentar solucionar as coisas logo que possível.
- Responder a palavras ásperas com palavras agradáveis.
- Não esperes que as pessoas te amem antes de tu as amares a elas.
- Facilita as coisas para as pessoas pedirem desculpa; dá o primeiro passo.
- Não perdoes simplesmente mediante palavras; faz alguma coisa positivamente boa.
PERDOAR E ESQUECER
Durante esta semana, tu tens pensado profundamente porquê deves
perdoar a pessoas; quando o deves fazer; quem precisa do teu perdão; e
mesmo como perdoar. Agora a grande questão: «Preciso eu realmente de
‘perdoar e esquecer’?»
A Bíblia dá duas espécies de pistas.
EFÉSIOS 4:32 diz que devemos perdoar «uns aos outros, como, também, Deus
vos perdoou em Cristo.» Ora, como perdoa Deus? Ele coloca uma distância
tão grande entre nós e os nossos pecados como entre
o
Oriente e o Ocidente (SALMOS 103:12). Ele lança os nossos pecados no
fundo do mar (MIQUEIAS 7:19). Ele vai bem mais além de prometer esquecer
os nossos pecados; Ele compromete-Se a nunca mais Se lembrar deles no
futuro (JEREMIAS 31:34).
A
segunda pista encontra-se em FILIPENSES 3:13. Aqui Paulo aconselha-nos a
esquecer as «coisas que estão atrás» a fim de podermos avançar para o
nosso futuro elevado chamado.
A primeira pista dá-nos um bom
exemplo a seguir. A segunda dá, aparentemente, um bom conselho. Contudo,
a ciência diz que tudo quanto alguma vez tu experimentaste está
registado no teu cérebro até à morte. Portanto, parece que, a não ser
que batas com a tua cabeça e sofras um ataque de amnésia, esquecer
ofensas graves contra ti é virtualmente impossível.
Quem está
correcta, a ciência ou a Bíblia? Ambas. Deus, porque Ele sabe tudo, não
pode realmente esquecer num sentido literal. E Paulo não quer dizer
realmente que, se tivermos alguma lembrança das nossas desgraças
passadas, estejamos arruinados quanto ao futuro.
«Clara Barton, a
fundadora da Cruz Vermelha Americana, em 1881, estava a conversar,
certo dia, com um amigo quando este lhe perguntou se ela se recordava de
alguma injúria cruel que alguém lhe tivesse infligido anos antes. A
jovem Barton disse que não conseguia recordar o incidente.
«’Com certeza que te deves recordar’, insistiu o amigo.
«’Não’, replicou a jovem Barton, ‘não me lembro dele, mas recordo distintamente de o ter esquecido’»
Perdoar e esquecer não se refere a um esquecimento biológico. Significa
perdoar tão completamente, que nunca mais lembraremos de usar outra vez
a coisa perdoada em falatório ou censura contra o ofensor, permitir que
isso nos cause mágoa, ou consentir que isso afecte a relação entre nós e
o antigo malfeitor de alguma maneira negativa.
O PERDÃO OPERA PAZ INTERIOR
Harry Orchard assassinou mais de 290 homens. Até assassinou o
governador de Idaho. Por isto ele acabou por ser encarcerado atrás de
grades e sentenciado à morte por enforcamento.
É Harry um
exemplo de autodisciplina? Não, não no princípio, mas mais tarde
tornou-se autodisciplinado. Harry mostra como Deus pode recuperar o pior
indivíduo e devolver-lhe o seu poder real de domínio próprio.
Depois de Harry ter sido preso, Deus teve a oportunidade de falar ao
seu coração. No silêncio da sua cela, Harry pensou na vida eterna. Por
alguma razão, ele percebeu que, se confessasse os seus pecados, Deus o
perdoaria. Após semanas de angústia mental, Harry decidiu fazer as pazes
com Deus, fosse qual fosse o custo. Harry confessou publicamente os
seus pecados e fez tudo ao seu alcance para endireitar o seu passado
miserável.
Pediu ao seu guarda uma Bíblia e começou a sua busca
por perdão. À medida que paz inundava o seu coração, ele procurou orar,
mas a princípio sentiu que Deus não podia ouvi-lo. Com o tempo, porém,
passou a ser mais fácil orar e a oração secreta tornou-se a sua força.
Uma vez, um dos seus colegas de prisão ouviu-o orar. O preso relatou que
Harry estava a perder o juízo. Pelo contrário, porém, Harry estava
realmente a recuperar o seu juízo aos pés do seu Criador.
No seu diário pessoal ele registou algumas das suas orações:
“Senhor, ajuda-me a ser verdadeiro com Jesus Cristo.”
“Senhor, ajuda-me a ser sempre humilde e verdadeiro.”
“Senhor, ajuda-me a afastar o olhar das provações da vida e a fixá-lo em Cristo para d’Ele receber ajuda e força.”
A sentença de morte de Harry foi revogada, mas nunca foi solto da
prisão. Dentro daquelas paredes de pedra, contudo, Harry viveu uma vida
limpa e cristã durante mais de 40 anos. Ele morreu na Penitenciária
Estadual de Idaho. Foi enterrado fora das muralhas da prisão em Boise,
Idaho.
por:
Manuel Cordeiro